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D o n a S o p h i a
Por Théo G. Alves
O
mundo é pequeno. Já não podemos mais duvidar dessa sentença. E a cada instante,
a cada byte ou informação recebida,
este nosso mundo torna-se ainda menor e sempre mais complexo. A cada novo
momento é mais uma civilização, mais uma descoberta, uma tragédia ou uma grande
esperança que chega até nós, numa fração de segundo, por essa grande vitrine
cujo principal produto à mostra é o novo velho mundo de sempre. Tenho certeza de
que Júlio Verne nunca imaginou que Fileas
Fogg pudesse dar a volta ao mundo em menos de 80 horas.
E
definitivamente não se poderia imaginar essa quebra de fronteiras, essa
"diminuição" do mundo, sem pensarmos no fenômeno da globalização. Aqui não
discutiremos os méritos desse processo: não precisaremos atestar neste momento o
que ela traz de bom ou ruim; pensaremos nela como processo corrente em que
estamos inseridos e isso é tudo: vamos tratá-la aqui como inevitável. Trataremos
a globalização como "o inevitável processo de integração entre os homens e os
mundos".
Porém,
todo o êxito desse processo, convenhamos, seria impossível se não fossem os
meios de comunicação: o veículo através do qual este fenômeno de inter-relações
torna-se viável e interessante. Muito tem-se falado acerca da qualidade e do
papel da mídia em todo o mundo, numa discussão quase infindável, como é a da
própria eficiência da globalização e isso ajuda-nos a pensar com maior certeza
que a evolução de uma não seria possível sem o desenvolvimento da
outra.
Os
avanços mercadológicos, as conquistas políticas, a popularização dos meios de
comunicação, o encurtamento das distâncias, o crescimento desenfreado da
tecnologia, o aumento da violência e do desemprego, a maior quantidade de
informações nas classes mais baixas e até mesmo a popularização das
universidades no Brasil não são pautas dos distantes discursos abstraídos sobre
a globalização e o papel da mídia nos dias de hoje, são, em verdade, faces muito
próximas de nossa realidade de agora. Isso faz com que ponhamos definitivamente
esses dois temas em nossas discussões diárias, em nosso cotidiano - ainda que de
forma não explícita ou mesmo não intencional.
O
mundo é pequeno, reafirmo. A mídia e a globalização, junto aos grandes avanços
da tecnologia e outros tantos fatores, que só existem devido às
inter-retroações, verbete usurpado da complexidade de Morin, puseram o mundo em
nossas mãos, em nossos mouses, nos
botões do controle remoto da televisão, nas revistas, nos filmes, nas
prateleiras, nas ruas e nas nossas casas. Já não sabemos mais onde começa além
nem onde acabam nossos quintais. O antigo Timor Leste e a Palestina estão em
nossas salas, assim como aqueles sanduíches americanos a que chamamos com
naturalidade de fast-food; vimos
Fidel beijar as mãos do Papa quando Che deve ter se revirado no túmulo; a
eleição conturbada de Bush foi
assunto em nossa mesa de bar e a minha avó tem andado muito preocupada com uma
possível crise na economia americana. Sim, o mundo cabe sobre nossos ombros e
nas revistas semanais.
Sei que o mundo é pequeno e tão pequeno que, às vezes, penso que nem só Deus é onipresente.
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