Divindade Invernal

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    Divindade  Invernal     

                                                                                                                                                      

                                                                                   Wescley J. Gama

            Quero estar em campo aberto, a observar o último inverno das últimas regiões profanas.  Finjo estar em um solilóquio infinito, como se já estivessem em minhas mãos todas as repostas  às perguntas  que herdara  dos meus antigos, velhos, e no entanto, atuais e atuantes ancestrais, todos enfileirados entre os vãos dos compartimentos escuros e frios dos últimos neurônios  em  atividade no meu ensandecido e instabilizado cérebro humano. Já não almejo regalias, nem tenho a coragem certamente necessária  de pedir clemência, de pedir paz.  O meu Deus tornou-se  maior que a minha existência, minhas ações, meus preceitos, meus pensamentos, minhas vergonhas... não enxergo mais além de trinta e três centímetros, e alguém que esperou  trinta e três anos  para se ver livre dos homens e suas lúgubres e insignificantes histórias me diz que vale a pena tentar de novo, de novo, de novo. Enquanto isso, a chuva cessa. Eles pararam de chorar. Tenho um último pedido, oh,  simétricos e primorosos Semideuses: chorem mais um pouco, derramem ainda uma vez o seu pranto abaixo da Linha do Equador, nós, os sertanejos, agradecemos.

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C   u   l   t   u   r   a

Pelo Artista Plástico Adriano dos Santos

É grande o descaso para com as Artes Plásticas em Currais Novos.  Faltam incentivo e investimento, principalmente por parte da Fundação Cultural José Bezerra Gomes, instituição essa que deveria ser um motor ativo de promoção cultural, e que, não passa de um embuste, uma fundação fictícia, apenas um pseudo-museu.

Os fatos gritam por si sós: Currais Novos não tem um projeto cultural, um calendário de exposições (a última exposição coletiva ocorreu em 1998); não dispomos de sala para exibição de peças teatrais; não existe nenhuma ação da prefeitura que apoie a divulgação nem o escoamento da produção artística local. Uma cidade com tamanha incidência de artistas deveria valer-se desse privilégio para fins mais concretos, dando meios para que eles se desenvolvam, assim os dois lados seriam beneficiados.  Mas não se faz.  São muitos os que encontram dificuldades em conseguir, até, seus materiais de trabalho.  Telas ficam inacabadas por falta de tinta, de pincéis...de subsídios.

Até mesmo o Espaço Avoante de Cultura não escapou dessa onda de desinteresse.  A obra já 60% concluída, constando de um teatro e de espaços para realização de oficinas diversas, conta, desde o início da construção, em 1994, apenas, e quase que exclusivamente, com recursos próprios do seu idealizador, João Antônio.

As Artes Plásticas currais-novenses vivem dias amargos, vagando em veredas espinhentas, sustentadas tão somente pela produção clausurada nos ateliês dos artistas desamparados.

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