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Erosões

 

Submerso ao medo

Banho-me

Encharcado à beira da vida

Acariciando o insondável

Entre poros cutâneos à espera

Das cicatrizes

Não sei se é coragem

Ou a inconseqüência........

Que prospecta a tessitura do acreditar

Na face que suponho

Estupefata ante às marcas

Que intenta corroer os sulcos

Onde escorregarão as lágrimas.

 

     João Antônio Eme-êne

 

Subversão injulgável 

Nesta manhã faminta, de olhos cegos e braços decepados, saio à debalde.

Minhas pernas desnutridas se confundem a raios envenenados de um outro sol apodrecido e um sorriso tuberculoso se apodera de meus lábios blasfemadores.

Sou eu na minha volúpia sádica de mim mesmo.

Mas esta manhã leprosa e aidética ainda me joga raios quase inanimados, cheios de malárias e cânceres políticos.

Nela vejo alegre e aplausível uma úlcera incurável de exímias conseqüências ambientais que surgira,

Não por dos  es fraudulentas de aguardentes envelhecidas, mas por causa de Jejuns  naturalmente bem sucedidos que não somente causariam úlceras como também uma série de outras doenças já consagradas.

Quase não me incomodam mais algumas lástimas-palavras que moribundos robustos me julgam entender...que são doenças aceitas pelo ministério da saúde e que não causarão mais que duas mil gerações desonestas sob a égide de vermes executivos e egoístas profundamente maravilhosos. Demônios terríveis de incólume consciência mergulhados jubilosamente numa única piscina de merda sadia. Piscina essa fiscalizada e aprovada por especialistas da vigilância sanitária, e que certamente acumula apenas merdas com o símbolo do inmetro.

Ainda nesta manhã neuroticamente sã estou a vagar silenciosamente por causa de um trauma hereditário que me impossibilitou a voz. Essas boas coisas que costumo chamá-las de maravilhas tirânicas do nascimento, onde o mundo e os mais sábios mentirosos dele não compreendem nem pela alegria que isso me causa nem pela amargura invulnerável que isso também nos causa, a  mim e a esta manhã amável.

 

Miramar

 

 

Ode I

 

Ó deusa das grandes fornalhas,

Deixa cair em meus olhos

Faíscas da tua opulência.

Cobre-me com teu vestido amarelo,

E com teu sorriso sarcástico

Entope as minhas veias.

Ó deusa do ventre de ágata,

Corrói-me com teus sucos gástricos,

Sacrifica-me como um troiano!

Tira-me, porém, deste solilóquio –

Não mais tolero a mim mesmo.

Eleva-me deste abismo!

Redime meus vis pecados!

Deixa que eu toque teu hímen,

Que habite teus lábios...

Antropófaga, devora-me em ritual,

Empala-me, “vladina”, em tuas unhas

( por um tempo infinito ).

Pois só assim terei paz,

Só assim alcançarei tua graça.

 

                                                Adriano dos Santos

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